sábado, 24 de julho de 2010

Parto e o contato com o poder feminino

Há uma mês tive a oportunidade de asssitir um parto em casa. Foi uma experiência única. Estou, agora, tentando descrever o indescritível. A parteira me telefona, dizendo que a gestante está em trabalho de parto. Chego à sua casa e sinto uma paz e um profundo acolhimento. Chego em silêncio ao lugar sagrado do parto. E vejo a mãe, uma grande mãe, muito empoderada e totalmente recolhida em seu mundo interno. Parecia meditar. A cada contração, a volta para dentro de si mesma, a busca de forças em seu mundo interno e era mágico acompanhar aquele momento. Sentia ali o poder do feminino e era como se aquele poder me empoderasse também e sentia a força de ser mulher e o poder que é dar à luz. O silêncio se fazia presente e só era possível ouvir o som de uma música meditativa que tocava ao fundo. 
Impressionante. Essa era a palavra que definia bem meu estado diante daquela mulher. Ela sorri para mim, me chama para dentro do quarto e me acolhe. Eu entro sem jeito, pedindo licença, sem querer atrapalhar. Vejo também seu companheiro. Um homem que dá sustentação àquele processo. Parceria. A união, a lua nova, o encontro do sol e da lua e o nascimento de uma nova família.
Toda a família participava com alegria daquele momento, auxiliando de diferentes modos. Senti-me em casa. Senti como se estivesse voltando para casa, para um lugar há muito tempo conhecido. Um lugar onde não havia medo, mas sim entrega e confiança. Essas palavras ecoavam em minha mente. O trabalho de parto se estendeu pela manhã e fomos almoçar. Um almoço preparado pela mãe da mãe, uma geração de mulheres se apoiando, exercitando a confiança e desafiando um mundo que diz que parto em casa não é mais possível. A mesa estava alegre, especialmente com a presença da primogenita daquela mãe que estava para parir mais uma linda menina.  A criança tem dois anos e meio, é muito amada e esperta. Entre nós duas houve um encantamento à primeira vista. Durante o almoço, o pai desce correndo as escadas e chama a parteira: "está na hora". A parteira sai correndo, o médico também. Eu vou aos poucos. E chego ao lugar. Lá está a mãe. Fico admirada diante dela, diante de seu poder. Entro em outro está de espírito. Aquele momento único contagia a todos capazes de sentir, de perceber o que está ocorrendo ali. O nascimento de um novo ser. Uma mulher dando à luz. E certamente, naquele momento lindos raios de sol deviam estar saindo daquele útero em direção à terra. Intensidade. Um intenso sentimento de plenitude tomava conta de mim. E agradeci por ser mulher e por poder presenciar aquela hora.
A parturiente sente que cada vez mais é chegada a hora e vai nascendo junto com sua filha. Há uma força que vem de dentro da mãe e toma conta de todo o ambiente. Também me sinto forte. Vocalizações. Tenho vontade de vocalizar junto com ela. E sinto como se muitas e muitas gerações de mulheres estivessem ali juntas parindo e auxiliando aquela mulher e seu bebê a nascerem. Sinto-me plena. E a nova menina nasce! Chega a menina nascida das águas, de um parto na água em casa! Uma alegria toma conta do meu ser, bem-vinda a nova menina! 

domingo, 20 de junho de 2010

III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento

Em novembro haverá uma Conferência em Brasília imperdível para quem se interessa por parto humanizado. Ela terá a presença do obstetra Michel Odent, médico francês que introduziu no Hospital Estadual Pithiviers da França o conceito de quartos de parto semelhantes aos de casa e piscina de parto. Além de ter diversos livros publicados sobre esse tema, como "A cesariana", "Água e sexualidade", "O renascimento do parto", entre outros. Também contaremos com a presença da antropóloga norte-americana
Robbie Davis-Floyd, autora de diversos livros que falam sobre como o parto se transformou no que é hoje. Infelizmente, ainda não temos livros publicados em português, mas há um livro em espanhol chamado "Del médico al sanador" que faz um panorama geral desse processo de mudança dentro da medicina na concepção do parto e adoção de um sistema tecnocrático ao lidar com ele.
Será um ótimo momento para discutirmos essas questões e sonharmos outras formas de nascimento aqui no Brasil, possibilitando outras opções para as mulheres, além das tradicionais. Reconhecendo a importância desse momento na vida da mulher e do bebê e promovendo a humanização da saúde. Em breve mais notícias!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Relato de parto

Um dia, a Paula, amiga que focaliza junto comigo o Clã das Nove Luas, nos enviou o endereço de um blog, no qual havia um relato de parto. Fui ler.  Percebi que a descrição era linda e clara ao mesmo tempo, porque é exatamente do modo como ela descreve que o trabalho de parto acontece. E pensei em transcrevê-la aqui. Mas o site é tão rico, que  é necessário olhá-lo na íntegra.
Uma mãe se dá conta que está esquecendo as lembranças do nascimento do filho e resolve escrever um diário público para eternizar o acontecimento e pincipalmente, para que o filho saiba a forma única como nasceu, conforme a própria mãe relata. É uma bela narrativa que está disponível neste enderenço: http://www.joaoastronauta.com/2007/12/021207.html
Deem uma olhada, vale a pena! Além desse relato, existem tantos outros. Desde 2007,  Flávia mantém este blog e agora, criou um domínio próprio: www.joaoastronauta.com. No blog há tópicos sobre amamentação, primeiros cuidados com Recém-Nascido, tudo isso por meio de um olhar materno. O que deixa a história mais emocionante e divertida. Deixo aqui uma descrição que Flávia faz do nascimento do blog O astronauta:

"O astronauta nasceu da vontade de descrever a experiência mais intensa e gratificante que já vivi: a aventura de aprender a ser mãe.
É uma tentativa de imortalizar alguns momentos da montanha russa de emoções que entramos ao ser pais.
E também, para poder compartilhar com vocês a imensa alegria de vê-lo crescer com saúde e feliz.
Este blog é dedicado ao super papa afinal sem ele não estaríamos aqui contando esta história.
E ao João...
o nosso pequeno astronauta."

domingo, 2 de maio de 2010

Em busca do protagonismo da mulher


Começou nosso Clã das 9 luas! Que lindo! Dez grávidas! E virão mais duas! E um dia serão muitas mais! Uma grande rede de mulheres. Uma grande rede de amor e respeito que se amplia... respeito por si mesmas, pelo ser que gestamos, pelo nosso corpo, pela experiência única de parir, pela humanidade. 
Cada vez mais estamos buscando a consciência do que é ser mãe, das nossas escolhas. É isso que essas mulheres estão querendo. E isso é extremamente importante, porque é dessa forma que crescemos: quando decidimos nos responsabilizar pelas nossas escolhas e assim buscar conhecer, entender as possibilidades que estão ao nosso alcance. Se queremos optar por uma cesárea, procuremos, então saber o que ela significa, os benefícios e seus riscos. Se vamos optar por parto vaginal, também. E assim por diante. Nos perguntando sobre o que valorizamos. Se valorizamos a experiência transformadora do parto, então, de que forma podemos estar conscientes e inteiras nesse processo?  Se queremos ouvir nosso corpo, de que forma eu posso fazer isso e como poderei ser ouvida? Há opção de se fazer cesárea nos hospitais, mas há opção de se fazer um parto de cócoras dentro do hospital?
Foi assim que as mulheres da Inglaterra, Holanda, França, Itália, etc, começaram e corajosamente exigiram que suas vozes, seus gritos e gemidos fossem ouvidos. E que seus partos fossem respeitados, e fizeram com que o poder público oferecesse outras opções além daquelas elencadas pela medicina do século XX. Faz tempo que essas mulheres tem a opção de fazer seus partos de cócoras com toda a segurança e tecnologia que um hospital oferece, faz tempo que as mulheres da França têm a opção de fazer seus partos na água. E nós brasileiras, que opção temos? E o que sabemos? Que conhecimentos temos sobre a fisiologia do parto, sobre nosso corpo, que medos e dúvidas temos? Por que silenciamos diante de outros saberes, quando sabemos por nós mesmas que não ficamos bem em determinada posição, que queremos um  parto vaginal,  embora nosso médico não queira falar sobre isso. 
Foi a partir da escuta sensível das necessidades dessas mulheres que se fizeram ouvir, que Michel Odent, Frédérick Leboyer, Ricardo Jones, e outros tantos médicos e médicas obstétras, mudaram suas ideias e começaram a enxergar o parto de outro modo, procurando aprender com elas sobre a fisiologia do parto e as necessidades de cada uma delas.  Foi assim que se criou casas de parto; que Michel Odent introduziu em um hospital estadual francês, o conceito de quartos de parto semelhantes aos de casa e piscinas de parto*.
E assim que teremos outras opções: na medida que ampliarmos nossa consciência, que assumirmos nossos medos e que deixarmos claro nossas dúvidas, que definitivamente questionarmos as práticas e rotinas hospitalares assim como questionamos a educação de nossos filhos com os professores e professoras, a comida que comemos, aquilo que nos oferecem e que consumimos. Quando perguntarmos a necessidade de uma episiotomia, as crenças de nossos médicos, estaremos conscientes daquilo que queremos e faremos escolhas que nos deixarão mais seguras e tranquilas na hora do parto. E assim, seremos protagonistas desse processo e tomaremos de novo nas mãos o parto, algo essencialmente feminino.

* Leia: "Água e sexualidade" e "A cesariana" de Michel Odent.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Significado dos choros

Um vídeo muito interessante que mostra a linguagem própria dos bebês. Eles têm um modo de se comunicar com a gente. Basta estarmos atentos para escutar...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nove Luas

Quero falar, hoje, do Projeto Maternidade Consciente da Tenda da Lua que faz parte do Movimento
Eu faço parte desse grupo de homens e mulheres que visam estabelecer outra relação consigo mesmos, com o outro e com o mundo. Relações mais freternas e amorosas capazes de possibilitar um outro futuro, e por isso tornam-se Guardiães do Amanhã.

Nesse sentido, para haver um futuro possível, precisamos nos tornar conscientes de nossas ações, de nós mesmos, do nosso papel no mundo. E a maternidade também precisa ser um papel consciente. Desse modo, criamos, dentro do grupo da Tenda da Lua, o Clã Nove Luas que visa focalizar a maternidade de um modo inteiro e consciente, trazendo de volta à mulher seu empoderamento no momento da gestação e do parto. Para que ela mesma, em conexão com seu corpo, com o seu bebê perceba do que precisa.
Esse Clã será um grupo exclusivo para gestantes, com encontros quinzenais que acontecerão no Tawa e está aberto a mulheres que não fazem parte da tenda. Contudo, a partir do segundo encontro, não haverá possibilidade de entrar novas gestantes; portanto, quem quiser entrar terá de se increver rapidamente. E comparecer de preferência desde o primeiro encontro, porque se trata de um grupo vivencial e cada encontro é unico. O grupo será focalizado por mim e por Paula Irigoyen em parceria com a mentora do movimento Guardiães do Amanhã, Lúcia Torres. A Paula é médica, doula, futura obstétra e integrante da 8ª geração de tendeiras. Eu, pedagoga, doula, estudante de astrologia, focalizadora de Danças Circulares e membro da 16ª geração de tendeiras. Juntas nesse grupo, temos como objetivos principais:
- Possibilitar a descoberta do empoderamento da mulher no processo de gestação e parto.
- Criar um espaço para partilha de dúvidas, medos e troca de experiências.
- Promover o alinhamento do corpo, mente, sentimentos e intuição.
O início dos encontros do Clã Nove Luas acontecerá no dia 19 de abril, às 18h, no Tawa. Maiores informações pelos e-mails: paulaif@ig.com.br ou mms_amanda@yahoo.com.br. Abaixo nosso cartaz de divulgação.
Sejam bem-vindas! 

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Parto humanizado, uma semente de amor.

Andei um tempo fora da cidade, e por isso fiquei sem postar novidades por aqui. Em breve haverá notícias sobre um grupo de gestantes coordenado por duas pessoas apaixonadas pelo universo do nascimento humano. Deixo vocês com um belo vídeo sobre parto humanizado.